De Los Angeles a São Francisco

Viaje pela rodovia Highway One e descubra um roteiro repleto de surpresas e paisagens incríveis

01 de Agosto | Los Angeles, São Francisco, Estados Unidos | por

Se o trajeto fosse feito em uma vez só, seriam 730 quilômetros e pouco mais de nove horas para percorrer de Los Angeles até São Francisco. Mas conhecer a costa oeste dos Estados Unidos é um trecho lindo, cheio de boas surpresas pelo caminho, que vale a pena parar em vários pontos para entrar nas pequenas cidades e se perder nos balneários que serpenteiam todo o litoral. Quem leva os viajantes para um dos destinos mais fantásticos do país é a Rodovia Highway One. Sem pedágios e em perfeito estado de conservação, a estrada reserva ao longo do trajeto praias, parques, mirantes, locais pitorescos e curiosidades divertidas que marcam toda a rota. A dica é alugar um carro e viajar sem pressa, para aproveitar o melhor da Califórnia.

 

LOS ANGELES: TERRA DA FANTASIA – 4 DIAS

 

Como há voos diretos do Brasil para a cidade, começar por Los Angeles costuma ser mais fácil para o viajante. Há tantas coisas para se fazer e ver, que quatro dias para conhecê-la é um tempo razoável. Hollywood, Disneylândia, Beverly Hills, sem contar as ensolaradas praias e as inúmeras opções de entretenimento. L.A, como é conhecida, é aquele tipo de lugar onde não é difícil encontrar astros do esporte e do cinema nos restaurantes. Há opções de compras e lazer para todos os bolsos, além de uma vocação cultural e artística vista não só nos museus e galerias, mas na própria rua.

 

Da mesma forma como acontece em outras metrópoles, o trânsito nos horários de pico congestiona a maioria das freeways. Apesar de o automóvel ser o transporte mais cômodo, nem sempre é o mais rápido. Para os principais pontos turísticos, prefira o metrô; para as áreas mais afastadas, vá dirigindo. Só não se esqueça de abastecer a carteira com moedas de US$ 0,25 para os parquímetros.

 

Para conhecer os destinos clássicos, deixe o carro no hotel e siga para Hollywood. O bairro, que iniciou como uma comunidade cristã onde não havia quase nada, transformou-se em um reduto para os estúdios cinematográficos. Tudo começou em 1913, quando a produção do filme Amor de Índio usou um galpão alugado na Vine Street para gravar algumas cenas. Isso foi o suficiente para chamar a atenção para a região.

 

Muitas atrações estão concentradas na Avenida Hollywood Boulevard, uma das mais famosas do mundo. De uma ponta a outra as opções se dividem em museus, casas de shows e locais simbólicos, como o antigo cinema oriental Grauman’s Chinese Theatre, que tem o chão de cimento marcado por autógrafos de diversas celebridades. O passeio pela via continua em direção ao Museu de Cera, com réplicas perfeitas de personalidades, e segue até a Calçada da Fama, com mais de 2 mil estrelas, uma verdadeira constelação que reúne os principais artistas. Entre os números mais fotografados está o 6 776, de Marilyn Monroe. Ao lado há o Ripley’s Believe It or Not!, museu dedicado a coisas bizarras - só de olhar a fachada e ver um tiranossauro no telhado comendo um relógio já dá para imaginar o que esperar. Na mesma calçada, o Guinness World of Records exibe reproduções, por meio de vídeos e efeitos especiais, das maiores façanhas que constam no livro. Na avenida também está o Kodak Theatre, palco do Oscar.

 

Na Sunset Strip, trecho mais efervescente da Sunset Boulevard, as histórias do começo da indústria cinematográfica estão por toda parte. Com mais de

2 quilômetros, ela é repleta de restaurantes, nightclubs, hotéis de luxo e concentra a melhor noite da cidade. Lá está o lendário Rainbow Bar & Grill, decorado com discos de ouro pendurados na parede e que tem um menu com preços bem honestos para Hollywood. Um ravióli com queijo sai por US$ 14; um cheeseburger, por US$ 6; e um café expresso, por US$ 3.

 

No número 8 852 está o The Viper Room, famoso por apresentações de música ao vivo, que tem como sócio Johnny Depp. Os hotéis também ganham espaço na avenida, como o Argyle, que serviu de moradia para muitos figurões; e o Chateau Marmont, inspirado em um palacete francês do Vale do Loire.

 

A região da Sunset Boulevard, que vai do centro de Los Angeles até a Rodovia Pacific Coast, estende-se até o endereço preferido dos endinheirados americanos, Beverly Hills. As mansões e palacetes são a principal sensação do local, onde os ricos e os muito ricos vivem. Tom Cruise, Britney Spears, Brad Pitt, Jessica Alba, Cher, Ozzy Osbourne e muitos outros fazem parte de uma longa lista de astros que moram ou já moraram na região mais nobre do país. O roteiro, de

8 quilômetros, que passa pela casa de muitos artistas é um dos passeios mais procurados.

 

Se mesmo assim não conseguir encontrar nenhum famoso, tente a Rodeo Drive, o endereço de compras mais cobiçado da Califórnia. Com calçadas largas, ladeadas por árvores, o longo quarteirão recheado de grifes, com mais de 100 butiques e restaurantes badalados, é um dos melhores locais para fazer compras e esbarrar com uma celebridade.

 

ALÉM DA SÉTIMA ARTE

 

É verdade que L.A gira em torno do cinema, mas a cidade também tem uma parte cultural muito forte. Há quem diga que os museus são o seu melhor, com acervos que vão desde a história natural ao legado dos caubóis. O Los Angeles Museum of Art (LACMA) exibe ampla coletânea da arte europeia e americana. Com tempo para conhecer mais de um museu, dê um pulinho no de História Natural e no Southwest, com milhares de artefatos indígenas.

 

Para quem ainda não conhece a Disneylândia ou está viajando com crianças, a dica é reservar pelo menos um dia para se divertir no parque. Menor do que o Walt Disney World na Flórida, a versão hollywoodiana tem menos atrações, mas, em contrapartida, as filas são menores. Os brinquedos mais emocionantes estão nos parques temáticos, como no Universal Studios, que tem o Jurassic Park, o Shrek 4-D e a mega-atração The Simpsons Ride.

 

RUMO AO MAR

 

As praias têm espaço garantido em qualquer roteiro feito pela Califórnia. Pelo calçadão, hippies, patinadores e muita gente bronzeada se misturam aos turistas. Do centro de Los Angeles ao balneário de Santa Mônica são menos de 30 minutos, se o trânsito ajudar. A baía fica no final da Santa Monica Freeway (I-10) e liga-se a Malibu pela Pacific Coast Highway.

 

Com 328 dias de sol e clima ameno, o balneário está encravado no alto de um penhasco. Um dos pontos mais visitados é o píer, com o mesmo nome da cidade, na Avenida Colorado. Pescadores de um lado e vendedores de pipoca e algodão-doce do outro, o passeio pode ser apenas por ali ou esticar até o parque de diversões Pacific. Localizado à beira-mar, há roda-gigante e uma montanha-russa, a primeira do mundo a funcionar com energia solar.

 

Caminhe pelas praias e, antes de continuar a viagem, não deixe de conhecer o Getty Museum, situado em meio à bela serra de Santa Monica, perto da San Diego Freeway (I-405). Idealizado pelo bilionário J. Paul Getty, o museu reuniu cerca de 50 mil obras de arte da época do renascimento, pós-impressionismo e antiguidades gregas, criando um dos acervos mais expressivos do país.

 

Próximo está Venice, outro local imperdível. Fundada em 1900 pelo magnata do tabaco Abbot Kinnery, a cidade foi criada para ser uma réplica de Veneza, com direito a muitos canais. O projeto sofreu diversos problemas e hoje sobrou pouco da obra original. O melhor local para ver os canais restantes é na Dell Avenue, onde há antigos barcos e pontes. Apesar disso, o clima festivo de Venice nunca deixou de existir e a cultura do surfe é uma das mais fortes do litoral de Los Angeles. O jeito mais gostoso de andar por ali é pedalando, para isso alugue uma bicicleta e curta o clima de praia, os artistas de rua e os ateliês de arte.

 

SANTA BARBARA: RI VIERA AMERICANA – 1 DIA

 

Depois de quatro dias

em Los Angeles, está na hora de acelerar na Highway One e seguir o caminho para o norte. O trajeto mal começa e logo surge a mítica praia de Malibu, famosa pelo seriado Baywatch. Desça, tire algumas fotos e retorne ao volante para seguir até Santa Barbara, a 139 quilômetros de L.A.

 

Em duas horas o viajante chega à pequena cidade, famosa por seus vinhedos. Na hora do almoço, aproveite a comida caseira do Joe’s, localizado na larga State Street, onde também está o bistrô enogastronômico Pierre Lafond Deli. Na mesma rua, o restaurante italiano Aldo’s é procurado por sua bruschetta. Do outro lado da State Street há um shopping a céu aberto para algumas compras rápidas. Santa Barbara também ficou conhecida por abrigar uma das dez missões construídas pelos espanhóis para catequizar os índios americanos. Fundada em

1786, a missão tem uma igreja neoclássica, uma capela, os dormitórios onde ficavam os missionários e dois jardins. O passeio é breve e ainda dá tempo de ir à praia curtir o crepúsculo. Para pernoitar, as soluções mais bacanas são os hotéis bed & breakfast, como o White Jasmine Inn, o Secret Garden e o Bath Street Inn.

 

SOLVANG: DI NAMARCA CALIF ORNIANA – 1 DIA

 

Na manhã seguinte, tire o dia para conhecer os municípios vizinhos. Pela Highway One, faça um desvio na altura do Vale de Santa Ynez e siga até Solvang. Moinhos de ventos e chalés mostram uma cidadezinha pitoresca com fortes influências dinamarquesas. Ótima para comprar lã, bordados e suvenires, há miniaturas de moinhos e ímãs de geladeira em quase todas as lojinhas. Ela é conhecida também por seus restaurantes típicos, que servem frikadeller (bolinho de carne), medisterpolse (salsichas) e rodkaal (repolho vermelho), além de uma boa oferta de cervejas escandinavas. O restaurante mais antigo é o Bit O’Denamark, que faz uma mescla de comida dinamarquesa com a americana.

 

Depois do almoço em Solvang, siga pela Freeway 101 até Santa Ynez Valley e aproveite a tarde para conhecer as vinícolas da região. O passeio completo pela zona de cultivo tem em média

48 quilômetros. Quem quiser visitar só uma vinícola pode ir a Firestone Vineyard, famosa pelos chardonnays e merlots, ou degustar os premiados sauvignon blancs na Brander Vineyard.

 

SAN LUIS OBI SPO – PERNOITE

 

Antes de escurecer, volte para a Freeway 101, sentido Santa Maria, para continuar até San Luis Obispo. Em pouco mais de uma hora já estará na cidade universitária localizada no vale das montanhas de Santa Lucia. Ao chegar o viajante se depara com o Novo Restaurante & Lounge, que serve comida brasileira, mediterrânea e asiática. Para experimentar os sabores locais sem gastar muito, o Big Sky Café oferece receitas preparadas com peixes da baía acompanhadas por vinhos regionais. Para passar a noite, a opção pode ser o rústico Bridge Creek Inn, a dez minutos do centro histórico. Aproveite o café da manhã caprichado do hotel, dê uma passada rápida pelo centro para abastecer e se despeça de San Luis Obispo para continuar a jornada.

 

MORRO BAY – 1 DIA

 

Em 25 minutos margeando o litoral pela Highway One, é a vez de Morro Bay aparecer. Entre as principais atrações está o passeio The Sub Sea tour (US$ 14). A primeira etapa é feita na parte de cima do barco para observar focas, lontras, leõesmarinhos e aves; na segunda, as pessoas descem ao interior da embarcação para ver a vida marinha por diversas janelas no casco. Outro ponto marcante da baía é o Morro Rock, pico vulcânico de

175 metros de altura. É possível ir de carro até a base da montanha, no Coleman Park, e ter uma vista incrível do vulcão. Com excelentes restaurantes à beira-mar, a oferta gastronômica é grande, mas quem não quer pagar mais de US$ 50 em uma refeição precisa rodar pela cidade. Elogiado por seu fish and chips, o Bayside Cafe é uma boa dica para um viajante de passagem.

 

De volta à estrada, o destino seguinte é a cidade de San Simeon, a

67 quilômetros de Morro Bay. A atração por ali é o Hearst Castle, que se tornou um dos principais pontos turísticos da costa californiana. Para quem se lembra do filme Cidadão Kane, de Orson Welles, vai se surpreender ao visitar o castelo do magnata William Hearst, que inspirou o longa. A melhor forma para explora-lo é contratar os passeios guiados que partem do Centro de Visitantes, o Tour One. O ponto alto é a ida à La Casa Grande, construída entre 1930 e 1940, com 115 cômodos. Na primavera e no verão há visitas à noite com atores vestidos com roupas dos anos 1930. Perto dali, aproveite o clima descontraído do San Simeon Beach Bar & Grill para comer um lanche. Depois de horas andando no castelo, é bom descansar para o próximo dia. Uma sugestão é o hotel Orchind Inn, confortável e com bons preços.

 

O próximo destino é um verdadeiro cenário de filme. Depois de quase duas horas no carro, o Big Sur chega como uma redenção para qualquer turista. Considerada um dos trechos mais belos da Califórnia, a região tem praias rochosas com o mar azul-turquesa, florestas com sequóias milenares e trilhas que percorrem a orla. Pare alguns minutos para tirar fotos e ficar ali, só olhando.

 

CARMEL: PERFEITINHA – 1 DIA

 

Um dos lugares mais charmosos no trecho de Los Angeles até São Francisco é a cidade de Carmel by the Sea. Distante

36 quilômetros do Big Sur, ela faz parte da Península de Monterey e ganhou notoriedade por suas particularidades e por ser um refúgio para muitos artistas. A curiosidade máxima é que o ator Clint Eastwood já foi prefeito de lá, e ainda hoje mantém um rancho, o Mission Ranch, com restaurante e piano-bar. Outro fato inusitado é que na cidade não há serviços públicos de transporte, iluminação e telefonia, os viajantes sem celular têm de apelar para os hotéis e pagar caro em cada ligação. À noite, as ruas ficam bem escuras e a única claridade vem das casas e lojas que deixam as vitrines acesas.

 

Com mais de 60 galerias de arte, Carmel tem um comércio sofisticado que gira em torno da Ocean Avenue, com muitas butiques e antiquários. Outro local bacana é ir até a Cottage of Sweet, considerada uma das melhores lojas de doces dos Estados Unidos. Os cães também são bem-vindos em muitos hotéis e restaurantes. Na hora de procurar um local para repousar, prepare o bolso para gastar pelo menos 90 dólares em uma diária.

 

Acorde cedo e aproveite para explorar a península pela 17-Mile Drive, uma estrada cênica que liga Carmel, Monterey e Pacific Grove. Para circular por ela é preciso pagar uma taxa que dá direito a um mapa para conhecer a região. Cheia de curvas, ela margeia a costa da praia de Pebble, passa por diversos campos de golfe e tem como ponto alto o Mirante de Lone Cypress, com uma vista incrível.

 

MONTEREY: VISITA AO AQUÁRIO – 1 DIA

 

O caminho pela 17-Mile Drive leva até Monterey. O barato do lugar é visitar o aquário da cidade. Instalado em uma antiga indústria de sardinhas, ele tem 35 mil plantas e mais de 600 espécies de animais, como lontras, tubarões e os leões-marinhos, que podem ser vistos do píer. Na mesma rua do aquário, na Cannery Row, há o hotel Clement Monterey, para o viajante pernoitar.

 

SÃO FRANCISCO: PARA PERDER-SE – 4 DIAS

 

Depois de dez dias na estrada, a viagem chega a seu destino final. De Monterey pela Highway One são, em média,

230 quilômetros até São Francisco. Ao chegar, deixe o automóvel no hotel, pois mesmo com as ladeiras o melhor é andar a pé.

 

Conhecida por ser a cidade dos bondinhos, dos hippies, dos gays, e da mistura étnica, que dá personalidade aos bairros, São Francisco está em uma bela baía, com mar de um lado e colinas do outro. Não é para menos que sempre que o assunto é turismo nos Estados Unidos, ela está no topo da lista como um dos melhores locais para se visitar.

 

Para se ter uma ideia geral, o bacana é fazer um cruzeiro curto margeando a costa para conhecer a história da baía, que foi praticamente destruída por um terremoto no começo do século 20. Depois desse tour, não tem como fugir do óbvio: a Golden Gate. A ponte suspensa símbolo da cidade tem quase

3 quilômetros e um vão livre com mais de mil metros. O melhor ponto para fotografá-la é na Vista Point, que está ao norte. Para chegar, é só seguir as placas indicativas.

 

De lá, o Golden Gate Park, o maior parque da cidade, pode ser a próxima parada. Para entrar no clima do lugar, vale até alugar um par de patins ou participar de uma partida de golfe. Na extensão do parque há o Botanical Garden, o Young Museum, a nova Academia de Ciências e o Japanese Tea Garden, o mais antigo jardim japonês da Califórnia, que serve vários tipos de chás.

 

A maior comunidade chinesa fora da China está

var addthis_config = {"data_track_addressbar":true};

COMENTÁRIOS

NA REDE