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Ilhas Cayman – Riqueza natural

Ilhas Cayman – Riqueza natural

Elas são conhecidas mundialmente como paraíso fiscal. Mas o paraíso por lá é outro: uma gama de praias exuberantes, ilhotas, lojas duty-free e hotéis perfeitinhos – tudo isso a uma hora de voo de Miami.

Por Júlia Gouveia

Muito provavelmente você já deve ter ouvido falar das Ilhas Cayman como um destino que serviu de playground para banqueiros e empresários espertinhos. Sim, esse pequeno arquipélago caribenho, localizado ao sul de Cuba e à esquerda da Jamaica, é o que se pode chamar de paraíso fiscal. Afinal, graças a uma forte política de isenção fiscal e de sigilo bancário, ali se depositam grandes fortunas. Não à toa, as três ilhas, cujo tamanho é menor do que o de Ilhabela, são consideradas o sexto maior centro financeiro do planeta, onde se estimam estar guardados cerca de US$ 1,4 trilhão.

Porém, uma vez no arquipélago, uma coisa posso garantir: esse pequeno território ultramarino britânico guarda preciosidades muito maiores do que as verdinhas. Trata-se de uma riqueza pouco palpável, mas muito visível aos olhos: quilômetros e quilômetros de litoral espantoso de lindo. O clichê da praia dos sonhos toma sua melhor forma ali. A areia branca e fina serve de moldura para um oceano que mais parece uma piscina, de tão calmo e cristalino – em certos pontos, nem ondas há. Mas o espetáculo fica mesmo por conta da cor da água, de um tom tão escandaloso de azul que, quando combinado com o sol forte, chega a arder os olhos.

Essa pintura salgada é tão impactante que não consigo apagar da memória o nosso primeiro encontro. Tinha acabado de chegar ao hotel. Saí do lobby em busca da praia e, após atravessar um corredor cheio de palmeiras, o oceano se descortinou todo de uma vez na minha frente. Spoiler: impossível não fazer cara de bobo e soltar um “uau”. O tom claro hipnotiza de uma maneira que você só consegue caminhar em linha reta até molhar os pés. Nisso, a água vem morninha,  tornando tarefa difícil não se jogar de uma vez ali. No segundo seguinte, já estava boiando feliz sob o sol do Caribe.

 

GRAND CAYMAN: GRAND, MAS NEM TANTO

Ao desembarcar no simplório aeroporto Owen Roberts, em Grand Cayman, nada sugere o fato de estarmos em solo tão endinheirado. Na fila da imigração, sob o olhar severo do quadro da rainha Elizabeth instalado entre os guichês, nada de engravatados ou pessoas carregando maletas suspeitas. Pelo contrário, enfileiram-se senhores branquelos com camisas floridas, casais em clima de lua de mel e famílias com crianças no melhor estilo #partiupraia. Chegar aqui é relativamente fácil para os brasileiros: o destino fica a apenas uma hora de voo de Miami, podendo servir como uma escapada interessante da metrópole americana.

Com pouco mais de 35 quilômetros de extensão, Grand Cayman é o epicentro do arquipélago, onde se encontram a maior parte da população, centro comercial, prédios, restaurantes e, claro, os bancos (196, mais precisamente). A ilha é coroada a oeste pela Seven Mile Beach que, como diz o nome, é uma linha reta com extensão de sete milhas (11 quilômetros), banhada pelo crème de la crème do mar caribenho. Não é por acaso que ela figura entre as dez praias mais lindas do Caribe segundo o ranking do site TripAdvisor. Hotéis cinco estrelas luxuosos se acomodam em vários trechos e criam verdadeiros playgrounds aquáticos para os hóspedes, que se esparramam em imensas boias amarelas e plataformas flutuantes. No Grand Cayman Marriott Beach Resort, por exemplo, foram instalados corais artificiais dentro da água às margens do hotel, atraindo diversos peixes para o lugar. Além de proteger o arrecife verdadeiro, que se encontra bem próximo, o público tem a chance de fazer snorkel praticamente sem sair da propriedade.

Ao sul, chega-se a George Town, misto de área portuária com centro comercial, onde desembarcam, por ano, mais de 1 milhão de turistas, que vêm a bordo dos cruzeiros. Há uma pequena concentração de prédios em estilo caribenho, coloridos e com varandas, mas as lojas de suvenires e bugigangas não empolgam. Batendo perna pelas ruas desse pedaço, é possível ver o lado mais ostentação de Cayman, onde despontam joalherias, como a Cartier, além de outras lojas queridinhas do público, como Swarovski, Pandora, MAC e Victoria’s Secret. Por ser uma zona livre de impostos, de fato, podem-se comprar joias, relógios, perfumes e bebidas alcóolicas por um valor mais barato até que nos Estados Unidos, mas, digamos, não se tratam exatamente de pechinchas. Na praça com relógios públicos da Rolex e vitrines repletas de diamantes é engraçado ver galinhas e galos desfilando por ali como habitués. As aves estão por toda a parte na cidade; conta-se que, depois do terrível furacão Ivan, em 2004, os animais se perderam de seus donos e começaram a se reproduzir desenfreadamente. Ou seja, eles são os verdadeiros donos do pedaço.

Quem não abre mão de circular por lojinhas e restaurantes com ar mais badalado deve seguir para Camana Bay. À beira da Seven Mile Beach, o complexo a céu aberto reúne 40 lojas, restaurantes e até uma marina – serve como uma espécie de point de lazer para os endinheirados locais.

 

NATUREZA RICA

Se você viajou até aqui, certamente foi mais para explorar as belezas naturais do arquipélago do que renovar sua coleção de joias. O mar, por razões óbvias, desempenha o papel de protagonista nesse cenário. Entre as atrações marinhas, sem sombra de dúvida, Stingray City é a mais famosa e popular. Em um banco de areia em alto-mar, cerca de 50 arraias-prego nadam livremente entre os turistas – algumas têm até dois metros de largura. Conta a história que, nos anos 1950, pescadores despejavam ali restos de peixe e de crustáceos, o que começou a atrair os animais. E eles nunca mais foram embora. Os bichinhos parecem adorar carícias e comem lulas (o petisco favorito) diretamente da mão dos visitantes – basta tomar cuidado com o ferrão da cauda, que é, normalmente, usado contra tubarões. Para chegar até lá, é preciso pegar um barco (em grupo ou charter), que parte de vários pontos de Seven Mile Beach (dá para encontrar preços a partir de US$ 45).

Os mergulhadores também fazem a festa no arquipélago: são 365 pontos de mergulho ao redor das ilhas. Com uma excelente visibilidade, graças à transparência da água, a grande diversidade de paisagens subaquáticas é o trunfo principal. Tem vários naufrágios, paredões, cavernas, corais e uma rica vida subaquática. Entre os destaques, o navio da Marinha americana Kittiwake, com cinco deques, repousa a 20 metros de profundidade, servindo de casa para barracudas, garoupas, tartarugas-marinhas e arraias. Em outro ponto, uma imensa estátua de bronze em forma de sereia torna-se um inusitado cenário para fotos a 15 metros de distância da superfície.

Além dos peixes e arraias, as tartarugas-marinhas, aliás, também cumprem o papel de estrela de Cayman. Aliás, em 1503, quando Cristóvão Colombo avistou as ilhas pela primeira vez, ele chamou o lugar de “Las Tortugas”. Havia tantos animais no mar, que os navegadores pensaram se tratar de rochas. Infelizmente, devido ao consumo descontrolado de sua carne, uma iguaria local, hoje os bichinhos correm risco de extinção. Por isso, a Turtle Farm, em West Bay, atua como uma espécie de Projeto Tamar, porém com uma proposta mais de parque temático/ zoológico. Além do trabalho de preservação da espécie, o complexo exibe vários tanques, com tartarugas de todos os tamanhos e idades. O auge do passeio, no entanto, é segurar nas mãos os filhotes, com a ajuda dos instrutores. Há, ainda, crocodilos, aves, tubarões e outros peixes.

Em terra, Cayman reserva mais surpresa: centenas de cavernas. Para explorá-las, literalmente, a fundo, o parque Cayman Crystal Caves possui 105 delas, com três abertas à visitação guiada e caminhada fácil. Localizadas em plena mata tropical, são formações com mais de 10 milhões de anos, repletas de estalactites e estalagmites, além, é claro, de alguns morcegos. Na Lake Cave, a mais bonita, as trilhas levam até uma gruta com um impressionante lago azul.

 

LAS ISLAS BONITAS
Além de Grand Cayman, completam o trio outras duas ilhas: Cayman Brac e Cayman Little. Por aqui, os cenários mudam bruscamente. No lugar de prédios e bancos, muita vegetação, praias selvagens e uma sensação de paz (e isolamento) indescritível. Para visitá-las, o único jeito é indo de avião, em voos diários operados pela Cayman Airways. A viagem tem menos de 30 minutos de duração e garante vistas deslumbrantes lá de cima.

São apenas 16 quilômetros de extensão e 200 moradores: Little Cayman é little mesmo . O aeroporto, o correio e o corpo de bombeiros funcionam todos no mesmo prédio. Com apenas quatro resorts, aqui é o lugar para quem busca um refúgio de tranquilidade. Mais uma vez, é destino de mergulhadores, que desejam desafiar os famosos paredões – o Bloody Bay Marine Park chega a ter dois quilômetros de profundidade e encanta com suas cores vibrantes.

Cayman Brac oferece, digamos, um pouco mais de estrutura, ocupando uma área de 38 km². Por aqui, os aficionados por esportes na natureza sentem-se em casa. Além do mergulho, é procurado também por escaladores, graças aos vários penhascos de calcário. Não faltam trilhas que levam a cavernas grandiosas – diz a lenda que piratas as utilizavam para esconder seus tesouros. No elegante hotel Le Soleil D’Or, a fazenda orgânica do estabelecimento serve o restaurante com vegetais, verduras e frutas cultivadas ali sem agrotóxicos ou fertilizantes. Os peixes vêm direto do oceano para o prato. Mais natural, impossível.

Transitando pela única rodovia local, é impossível não notar a propriedade de Ronald Kynes, conhecido como Foot. Com quase dois metros de altura e longos cabelos brancos, o alemão é um artista plástico que parece ter acabado de chegar de Woodstock. Ele transformou o quintal de sua casa à beira-mar em uma espécie de galeria de arte a céu aberto. Pelas areias, ele expõe suas inusitadas esculturas feitas de sucata e grafadas com mensagens engraçadas e trechos de músicas dos Beatles e do Led Zeppelin – o que dizer de uma banheira cheia de garrafa de cerveja? Ou mísseis soviéticos? Seus portões ficam sempre abertos para quem quiser entrar e fotografar. Ele conta que chegou a Brac em 1984, trazido por um amigo, e se apaixonou pela paz do lugar. Nunca mais voltou para casa. Admirando a vista estonteante do mar azul de cima do terraço de sua casa, o qual ele chama carinhosamente de “stairway to heaven”, eu me peguei pensando que, talvez, esse “maluco beleza” não tinha nada de maluco…

 

5 COISAS QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE AS ILHAS CAYMAN

  1. Mão esquerda: por ser um território britânico, as Ilhas Cayman seguem as convenções da terra da rainha. E isso inclui, por exemplo, dirigir na mão esquerda – informação importante se a ideia for alugar um carro ou mesmo para atravessar a rua.
  1. Bolo de rum: à procura de algum suvenir baratinho e com cara de local? Aposte no rum cake da marca Tortuga, o mais típico. Dá para comprar no aeroporto o pacote com quatro unidades por US$ 20.
  2. Cemitérios na praia: não se surpreenda ao cruzar com vários cemitérios na beira da praia, pois eles são muito comuns. A tradição é antiga, porque, por ser uma ilha, as terras centrais eram mais Portanto, o espaço que “sobrava” era próximo às areias.
  3. Passear em um submarino: o Atlantis é um submarino de verdade que leva os passageiros a até 30 metros de profundidade. É bacana para ver de perto peixes e corais sem precisar mergulhar. As crianças, com certeza, são as que mais se divertem.
  4. Pedro St. James: o casarão de 1780 é a construção mais antiga de Grand Cayman (e sobrevivente de vários furacões). Totalmente restaurado e com antiguidades, o lugar oferece uma experiência autêntica de como era a vida na ilha nos séculos passados. Ali é servido um tradicional chá das cinco por US$ 30.

Viagem a convite do departamento de turismo das Ilhas Cayman

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