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Roma além dos clássicos

Roma além dos clássicos

A cidade tem clássicos na mesma proporção que tem segredos

Por Leticia Rocha

Mesmo os mais avessos aos clichês não poderão negar que o popular “uma vida não basta para conhecer Roma” é mais do que válido. E a cada nova imersão, esmiuçar seus cantinhos rende bons achados, aprofunda conhecimentos de história e arte e prova também que, em paralelo com a sua tradição, Roma sempre tenta absorver as tendências por aí afora. Confira alguns de nossos garimpos que valem a pena incluir em uma viagem de retorno.

Nas redondezas do Coliseu está o Giardino degli Aranci, que, como o nome já adianta, é um jardim tomado por laranjeiras, e lá do alto vê-se o horizonte romano de uma maneira muito ímpar e bela. Estando ali, aproveite outra atração vizinha: Il Buco della Serratura, que nada mais é que um buraco de fechadura de um prédio particular, talvez o mais peculiar do mundo, que lhe rende uma vista quase que inacreditável para a cúpula do Vaticano!

O Roseto di Roma, o rosário público da capital, possui 1.100 espécies da flor, vindas dos quatro cantos do mundo. Abre somente algumas temporadas no ano.

Imperdível é caminhar pela Via Nicolò Piccolomini e ver a Basílica de São Pedro por uma estranha ilusão de ótica: parece enorme quanto mais você se distancia dela.

A Villa Doria Pamphilj, com seu 1,8 km², é o maior parque da capital e reserva vários cantinhos para descanso. Outro ponto verde é o Parque Regional da Appia Antiga, uma gigantesca área de proteção ambiental e sítio arqueológico com tumbas, sepulcros, catacumbas e cisternas. Passeios de bicicleta são muito bem-vindos. villapamphili.it

O Ghetto representa a face judaica da capital. É um bairro pequenino, que fica no centro histórico, às margens do Tibre, com destaque para a Grande Sinagoga, o Museu Hebraico e muitos restaurantes voltados para a culinária kosher, como o Da Benito Al Ghetto. museoebraico.roma.it, € 7

Parede no Ghetto | foto: shutterstock

A vila de Coppedè, que soma um quarteirão no bairro de Trieste, é um conjunto de edifícios e sobrados misturando art noveau com art déco, além de pinceladas de arte grega, gótica, barroca e medieval. A “entrada” dessa pequena vila já é uma atração: um imenso lustre de ferro disposto em um arco que liga dois principais prédios, assinado pelo arquiteto Gino Coppedè. No interior, 26 edifícios e 17 moradias, cada um com uma preciosidade singular para admirar.

A arte de rua é muito forte em solo romano. Na região de Ostiense e Garbatella, vários palácios antigos foram tomados por grandes desenhos e séries de murais coloridos. No lado oposto da cidade, no Quadrado, há outro nicho da arte de rua, que conta, inclusive, com o M.U.R.O., o Museu de Arte Urbana de Roma, que nada mais é do que uma coleção bem mapeada de belos grafites.

Quem procura diversão tem três caminhos: o bochicho universitário de San Lorenzo, no qual jovens bebem cerveja na calçada e na praça central ou em locais como o pub Rive Gauche; e Pigneto, que é tomado por bares

Sabia que a cidade do Coliseu é muito próxima do litoral? E que dá para ver o mar em meia horinha de viagem? Pois bem, dá e anote o nome desta praia: Ostia. Apenas 30 quilômetros separam Roma da residência de verão do papa, o Castelo Gandolfo – que, desde o final de 2015, foi aberto à visitação pública. Dá para fazer um passeio charmoso de trem até lá, que parte da estação interna do Vaticano uma vez por semana. museivaticani.va, € 16 (com trem)

Ostia | foto: shutterstock

E Neve, tem pertinho também: no inverno, o lugar para esquiar é o Monte Livata, região montanhosa distante 85 quilômetros do centro romano. Tem atividades como bicicleta, caminhada e cavalgada na primavera e no outono. Aos que preferem a calmaria de um lago, Bracciano é destino dos esportes náuticos, como barco a vela.

Parece impossível, mas acredite, dá para ver vinhedos e fazer agriturismo em Frascati, distante míseros 20 quilômetros de Roma.

Na região de Tuscania, comuna a 98 quilômetros de Roma (não confunda com Toscana!), há lindos campos de lavanda. A melhor época para visitar é em julho (também para ver as plantações de girassol), quando acontece ali a Festa della Lavanda. Dá para sentir os ares da francesa Provença a menos de uma hora da capital.

Giro gastronômico

A Termini, estação principal, ganhou no ano passado o Mercato Centrale, um complexo moderno que compila um especialista de cada setor para compor os seus boxes, como café, pizza, massas frescas, sorvete, embutidos, vinhos… Outra boa aventura que reúne muita coisa em um só lugar é o Eataly, o famoso mercado italiano que já aportou em terras brasileiras. Entre os seus corredores , há livraria, cervejaria, adega, fabricação de muçarela ao vivo, doceria, padaria e restaurantes variados. mercatocentrale.it, eataly.it 

Mercato Centrale | foto: divulgação

Para quem prefere o estilo “mercadão” público, entre as sugestões estão Trionfale e Rionale, ambos nas proximidades do Vaticano, aonde os moradores vão diariamente para comprar frutas, verduras, queijos e embutidos. O Nuovo Mercato Esquilino, na Piazza Vittorio Emanuele, acabou por virar um lugar para encontrar ingredientes étnicos e sabores do mundo. mercatidiroma.com

No Guia Michelin, Roma tem 19 casas estreladas. E tem opção para todos os bolsos e estilos: o despojado Bistrot 64 tem menu degustação a partir de € 40, incluindo cinco pratos. O Imàgo, instalado no luxuoso hotel cinco estrelas Hassler, tem preços quecomeçam  com € 140, por sete etapas. O La Pergola, o mais estrelado deles e comandado pelo alemão Heinz Beck, sai por € 245, sendo uma refeição de dez passos. hotelhasslerroma.com, bistrot64.it, romecavalieri.com

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