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Curaçao: um Caribe cheio de história

Curaçao: um Caribe cheio de história

A ilha de colonização holandesa tem praias deliciosas. Mas ela vai bem além disso, esbanjando cultura e gastronomia

Por Paulo Mancha D’Amaro

Curaçao é um país que faz parte do chamado “ABC caribenho”, ou seja, as iniciais de três ilhas colonizadas pelos Países Baixos: Aruba, Bonaire e Curaçao. Não há voo direto a partir do Brasil, mas é facilmente acessível com conexão em Bogotá, na Colômbia, ou na Cidade do Panamá. Tem 440 km2 – o mesmo tamanho da porção insular de Florianópolis – e uma população de 160 mil pessoas, ou seja, quatro vezes menos que na capital catarinense. A comparação não é à toa. Assim como nosso balneário, Curaçao é um recanto repleto de praias isoladas, distantes das áreas urbanas e com um centrinho cheio de charme, onde as pontes viraram cartão-postal.

Punda

Punda (foto: divulgação)

A grande diferença é a arquitetura, com seu legado holandês preservadíssimo. Você provavelmente já deve ter visto alguma vez aquela imagem clássica das casinhas coloridas enfileiradas, todas estreitas e de telhados altos, agudos, no melhor estilo dos cartões-postais de Amsterdã, só que de frente para o mar. Esse incansável clichê tem o nome de Punda, bairro que é o coração de Willemstad, a capital de Curaçao. A ilha de colonização holandesa tem praias deliciosas, como é de se esperar. Mas ela vai bem além disso, esbanjando cultura e gastronomia.

 

Punda: o bairro central de Willemstad

 

Punda cresceu em torno do Forte Amsterdã, construído em 1648. A partir daquele ano, os holandeses transformaram Curaçao num entreposto comercial e o porto Schottegat viu décadas e mais décadas de frenesi. Armazéns, lojas, prédios públicos, igrejas… Tudo surgiu nesse bairro central e – para alegria dos turistas de hoje – a maioria dessas benesses foi preservada. Praticamente tudo que se vê nesse lugar é tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.

Ruazinhas e becos cheios de cor concentram boas lojas, cafés e restaurantes. Dá para achar de tudo: da última moda europeia aos perfumes franceses, de porcelanas inglesas a eletrônicos japoneses (e chineses, claro), de artesanato da Indonésia a joias holandesas… E com um atendimento cheio de simpatia, de um povo que fala quatro línguas no dia a dia (holandês, inglês, espanhol e papiamento). Nada mais agradável que passear, de dia ou de noite, pelo gracioso labirinto e, no final, descontrair num dos bares que ficam de frente para o canal que cruza Willemstad, com a vista privilegiada da pitoresca Ponte Queen Emma (que é apenas para pedestres e se abre quando navios precisam passar) ou da grandiosa Ponte Queen Juliana (com seu enorme vão de 60 metros de altura).

 

Ponte

Ponte Queen Emma (foto: shutterstock)

 

Também dá para encontrar muita história por ali. Em Punda, fica o Forte Rif, erguido em 1828 e hoje transformado em shopping center a céu aberto, com uma unidade da rede de hotéis Renaissance ocupando suas dependências. Sem falar na sinagoga Mikvé Israel-Emanuel – considerada a mais antiga das Américas continuamente em funcionamento, já que nunca deixou de exercer sua função desde a inauguração, em 1732. Ela acolhe a mais longeva congregação judaica ativa no continente, datada de 1651. Vale a pena conhecer seu museu de arquitetura muito peculiar e acervo instigante.

 

Rif Fort

Rif Fort (foto: divulgação)

 

Falando em museus, há dois que merecem sua visita. O Maritime Museum conta a história das Grandes Navegações dos séculos 15 e 16, além de toda a saga marítima de Curaçao desde então. Há dezenas de maquetes de navios de todos os tipos e eras – o que deixa fascinadas, sobretudo, as crianças. Sem contar o passeio de barco pela região portuária, incluído no ingresso (convém consultar antes, pois tem horário e lotação restritos).

 

Museum Maritime

Museum Maritime (foto: divulgação)

 

Igualmente imperdível é o Museu Kura Hulanda, situado no bairro de Otrobanda – nome que, no idioma papiamento, refere-se exatamente às “outras bandas”, ou seja, o lado oposto do canal. Declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Kura Hulanda é um dos mais completos museus do mundo sobre a escravidão africana e a cultura dos povos que vieram da África para a América entre os séculos 16 e 19. Ele ocupa uma construção histórica ao lado do antigo porto de Willemstad e tem visita guiada e diversos eventos culturais.

Vale lembrar que Curaçao foi, durante séculos, um centro de comercialização de escravos. No museu, descobre-se um dos motivos de a língua local ter tantas palavras e expressões iguaizinhas ao português. Além dos escravos trazidos de Cabo Verde e Guiné Bissau, Curaçao recebeu também milhares de judeus oriundos do nosso Nordeste no século 17, assim como negros brasileiros que serviam como “treinadores” dos recém-capturados na África, ensinando-lhes trabalhos domésticos, rurais, língua portuguesa e até mesmo noções de etiqueta.

 

África

África Museu (foto: divulgação)

 

Mais do que registros soturnos sobre escravidão, o Museu Kura Hulanda é também um local de celebração à cultura africana e ao combate ao racismo, com alas inteiras dedicadas a folclore, artes, literatura e afins. Até mesmo um caprichado painel sobre a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos existe por ali.

 

DICAS DE OURO!

Vacina
Brasileiros precisam de vacina de febre amarela.

Quando ir
Curaçao está fora da rota dos furacões, o que permite visitar a ilha sem perigo o ano todo. Mas fica mais caro entre o Natal e a Páscoa. Temperaturas quentes são praticamente constantes ao longo do ano e as chuvas são esparsas.

Como chegar
Não há voo direto a partir do Brasil para o aeroporto Hato (CUR). Com conexão em Bogotá, voa a Avianca e, via Cidade do Panamá, a Copa, com duração mínima de 11 horas.

 

Leia mais:

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Aruba: romântica e praiana

Aruba: turismo e natureza

 

Onde se hospedar em Curaçao?

Curaçao Suites Hotel
Bastante simples, mas renovado recentemente, fica a cinco minutos a pé da Ponte Rainha Emma. Hóspedes podem usar a área de lazer e a academia do hotel vizinho. Langerstraat 13, Otrobanda, Willemstad

Hilton Curaçao
Os quartos são amplos, a praia em frente ao hotel é pequena e agradável. As refeições são ao ar livre, com música ao vivo em alguns dias, e há uma boa variedade de opções de lazer, incluindo mergulho. John F Kennedy Boulevard, 2.133, Willemstad

Lions Dive & Beach Resort
Hotel gigante, pé na areia, com escola e operadora de mergulho, próximo ao Aquário de Curaçao. Tem diversas alas, algumas mais modernas que as outras. Bapor Kibra, Willemstad

Outras acomodações em Curaçao!

 

 

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