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Paraty: o que fazer e onde comer

Paraty: o que fazer e onde comer

Praias, alambiques, restaurantes, hospedagem de charme e eventos culturais dão o tom a um destino que serve de refúgio o ano inteiro

Por Carolina Maia

Apesar de ser minha primeira vez em Paraty, eu sentia como se já a conhecesse de longa data. A sensação familiar vinha das muitas fotos vistas nas redes sociais e dos relatos cheios de carinho que sempre escutei de quem já esteve na cidade. Sem exagero: não foram precisos mais que cinco minutos para compreender tamanha simpatia pelo lugar.

Tudo nela é um cartão-postal: as tradicionais ruas de pedras, os casarões coloniais, os barcos coloridos, a riqueza cultural e histórica, o mar polvilhado de ilhas, as inúmeras praias, a simpatia de seus moradores (quem não seria feliz morando aqui?)… Praticamente no meio do caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro, Paraty parece nos transportar para uma viagem no tempo por conta de suas construções de arquitetura colonial tombada, datadas do século 17. E ainda tem a natureza, com porções de Mata Atlântica preservadas em lugares como o Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, a Reserva da Joatinga e o Parque Estadual da Serra do Mar.

Fundada em 1667, a cidade teve grande importância econômica durante o ciclo da cana-de-açúcar, chegando a ter mais de 250 engenhos. Também se destacou no século 18 como porto, por onde escoava o ouro vindo de Minas Gerais rumo a Portugal e, ainda, no ciclo do café. Sua relevância, no entanto, foi perdida com a construção da Estrada Real, o que a deixou isolada e esquecida economicamente. Até que, com a inauguração da Rodovia Rio-Santos na década de 1970, passou a ser um polo turístico em expansão, muito graças a seus resquícios históricos e suas belezas naturais.


Centro histórico, sítios, cachaça e cerveja

O Armazém da Cachaça
Armazém da Cachaça (foto: divulgação)

O Centro Histórico de Paraty guarda atrações como a Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade, e a Casa da Cultura, com exposições sobre a história e as artes locais. As ruelas exclusivas para pedestres são tomadas por ateliês, restaurantes, bistrôs, cafés e várias lojinhas, muitas delas especializadas em cachaça – uma das atrações de Paraty. O Armazém da Cachaça, por exemplo, fica numa esquina na rua principal e conta com 1.280 opções, que custam de R$ 30 até a bagatela de R$ 2.155! A cultura da bebida é tão marcante na cidade que, em agosto, tem seu próprio evento: o Festival da Pinga.


Igreja Santa Rita de Cássia
Igreja Santa Rita de Cássia (foto: shutterstock)

Em qualquer época do ano, os interessados no assunto não podem deixar de fora do roteiro visitas a alambiques – dos mais de cem estabelecimentos que funcionaram no município a partir de meados de 1700, atualmente só há sete. O programa é uma boa para entender melhor sobre toda a produção de aguardente e, claro, participar de umas boas degustações. É o caso do Sítio Pedra Branca, em uma das mais belas regiões de Paraty: o Vale da Pedra Branca, onde a natureza preservada combina belas cachoeiras com vistas para o mar e a serra. Comece degustando a famosa Gabriela, que, em referência ao romance de Jorge Amado, leva em sua composição cravo e canela. É uma delícia!

Mas nem só de pinga vive Paraty. A cerveja artesanal, tão em voga, também ganhou seu espaço quando, em 2006, foi inaugurada a Cervejaria Caborê. Com fabricação sem conservantes e seguindo a Lei de Pureza Alemã, é a única da cidade. São cerca de 135 mil litros produzidos anualmente e divididos em quatro estilos (Pilsen, Escura, Trigo e IPA), que podem ser provados no movimentado pub anexo. O nome em tupi-guarani é de uma pequena coruja encontrada na região, que também serviu de inspiração para o logotipo da cervejaria.


Sítio Pedra Branca
Sítio Pedra Branca (foto: divulgação)


Onde comer em Paraty?

E não dá para falar de bebida sem pensar em comida. Sobram opções gastronômicas em Paraty, e das mais variadas. Inspirada na dolce vita, o restaurante Pippo, comandado há seis anos pelo siciliano de mesmo nome (apelido de Giuseppe), incorpora em seus pra-tos os pescados locais. Uma das estrelas do menu é o Talharine à Dona Santina, à base de abobrinha, pupunha e camarões com molho de ovas de peixe, que pode ser seguido pela deliciosa Torta Tartufo al Cioccolato como sobremesa. De quebra, você também pode vir a se encantar pela pequena Clara, de 2 anos, a filha de Pippo que às vezes dá pinta por lá.

Já o Thai Brasil é comandado por Marina Schlaghaufer, uma simpática e extrovertida alemã que curiosamente trabalha com gastronomia tailandesa. O restaurante abriu suas portas em 2000 e desde então é muito badalado. Os pratos seguem o estilo da decoração feita pela própria Marina: bem coloridos. E ainda são perfumados e deliciosos. Vale dizer que quem não é muito fã do estilo picante pode pedir versões sem pimenta.


Centro Histórico
Centro Histórico (foto: shutterstock)

Quem quiser uma refeição do tipo experiência gastronômica tem na Academia de Cozinha e Outros Prazeres o lugar certo. O simpaticíssimo casal Richard e Yara Roberts (um americano e uma mineira) abre sua casa no Centro Histórico para um jantar para lá de especial. Além da saborosa comida preparada por Yara e as refrescantes caipirinhas de Richard, espere por um ótimo papo, daqueles que fluem naturalmente e que parecem ser de amigos de longa data. Ambos têm muita história para contar, principalmente sobre o amor pela cidade e a gastronomia brasileira.


As melhores praias de Paraty

Para aproveitar o quesito praia, Paraty demanda carro ou, melhor ainda, barco. Do cais do porto saem os clássicos passeios de escuna que podem ser contratados na recepção das pousadas. É um bom resumo das belezas da Baía de Paraty: ao longo de um dia inteiro, os roteiros incluem quatro ou cinco paradas, como as ilhas da Pescaria e Comprida e as praias Vermelha e da Lula. Há opção de almoço a bordo e aluguel de snorkel para mergulhar.

A escuna é aposta certeira para quem quer economizar tempo e dinheiro. Mas se estiver a fim de algo mais exclusivo, contrate um barco que faça roteiros personalizados. Assim se chega ao Saco do Mamanguá, um braço de mar que se espicha oito quilômetros continente adentro e, rodeado por montanhas, é a versão tropical de um fiorde. A área é salpicada por cerca de 30 praias tranquilas, além de comunidades caiçaras e uma área de mangue preservada, com biodiversidade que impressiona.

Ao sul de Paraty, uma estradinha tortuosa leva a Trindade, vila alçada à fama nos anos 1970 pelos hippies que ali montaram suas comunidades. Depois vieram os aventureiros em busca das trilhas que revelam praias selvagens e intocadas (vide a Praia do Sono, alcançada com uma hora e meia de caminhada). A praia mais popular é a do Meio, de fácil acesso e servida por quiosques pé na areia. Depois de um riacho e uma trilha de meia hora (ou cinco minutos de barco), está a Praia do Cachadaço, famosa pelas piscinas naturais que se formam na maré baixa e transbordam de gente no verão. Mesmo com o desenvolvimento turístico, os ares de vila praiana continuam a soprar em Trindade, especialmente nos restaurantes caseiros e nos campings à beira-mar. Um complemento perfeito para a dobradinha rústico-chique com Paraty.


Praia do Cachadaço
Praia do Cachadaço (foto: shutterstock)


Onde se hospedar em Paraty

Em um destino que abraça como Paraty, nada mais apropriado que uma hospedagem que aconchega. Eis a Pousada Literária, situada na principal rua do Centro Histórico. Antigo Hotel Coxixo, da atriz Maria Della Costa, o casarão colonial foi adquirido em 2011 e os atuais gestores mantiveram a ideia de sempre ficar bem longe dos grandes centros urbanos e ter hotéis pequenos em locais que viabilizem projetos de restauro e sustentabilidade.

Casas vizinhas à propriedade foram compradas para aumentar a área da pousada e aumentar o conforto dos hóspedes. São somente 13 apartamentos, nove suítes, duas vilas (Paraty Mirim e Trindade) e uma casa, a Aurora, que comporta até seis pessoas. Bem estruturadas, tem produtos Natura e frigobar que pode ser customizado pelo hóspede, além de detalhes que vão até o teto, feito com palha de dendê proveniente de Trancoso. Não em vão, é a única pousada na cidade com 39a chancela Virtuoso, que reúne hospedagens de luxo ao redor do mundo.


Suíte Paraty
Suíte Paraty (foto: divulgação)

A pousada faz jus ao seu nome: além de ser hospedagem oficial durante a famosa Flip (e sediar o coquetel de aber-tura), conta com uma biblioteca incrível com 1.200 clássicos da literatura mundial e brasileira. Aliás, os livros estão por todos os cantos, inclusive na decoração dos quartos: é uma grata surpresa descobrir grandes obras-primas a seu dispor, selecionadas de acordo com suas preferências. Não deu tempo de terminar a leitura? Sem problemas! A pousada muitas vezes acaba presenteando o hóspede com o exemplar. De quebra, logo ao lado fica a Livraria das Marés, projetada pela arquiteta Bel Lobo, com mais de 4 mil livros à venda, uma pâtisserie de menu assinado pelo renomado chef belga Frédéric de Maeyer e um espaço multiuso para workshops, apresentações musicais e palestras.

Outro chef belga, Bertrand Materne, cuida do restaurante da pousada, o Quintal das Letras, que prioriza a tradicional culinária caiçara, com o conceito farm to table (da fazenda à mesa). Então espere por ingredientes frescos e orgânicos que chegam diariamente vindos da Fazenda Bananal, que pode ser visitada pelos hóspedes. O café da manhã é um exemplo irresistível: foi graças às sugestões do Seu Ademir, funcionário da casa há 30 anos, que fugi da dieta com as deliciosas geleias de acerola, banana e laranja, com o waffle de massa de pão de queijo e muito mais…


Piscina da pousada
Piscina da pousada (foto: divulgação)

Para relaxar, tem piscina aquecida e o Spa Poesia, que traz um menu diverso de terapias faciais e corporais. As ervas agroecológicas usadas nos tratamentos vêm diretamente da horta da Fazenda Bananal e podem ser escolhidas pessoalmente pelo cliente no bar de esfoliantes. E tem ainda passeios exclusivos, como a escuna Maria Panela, que navega pelo Saco do Mamanguá, onde os hóspedes podem caminhar pela praia, nadar e praticar snorkeling ou stand up paddle. Uma delícia!


Pousada Literária

Considerada Patrimônio Histórico é cercada por muita riqueza cultural e natural, além do café incluso nas estádias, piscina e uma linda área de lazer.


Da fazenda para a mesa

Do mesmo grupo da Pousada Literária, a Fazenda Bananal, a cerca de 20 minutos do Centro Histórico de Paraty, foi aberta recentemente para visitações. Envolto pela Mata Atlântica, o casarão onde funcionava a sede foi restaurado, o que permitiu manter as características originais de uma fazenda do período colonial. Desde 2015, a Fazenda Bananal é listada como o único Observatório Privado de Aves do Brasil, onde são feitos a identificação e o monitoramento de espécies. Lá também está localizada a trilha indígena dos Guaianás, que ligava Paraty ao Vale do Paraíba e foi reutilizada pelos colonos como o Caminho do Ouro.

Restaurante Quintal das Letras
Restaurante Quintal das Letras (foto: divulgação)

Os visitantes podem ainda explorar as plantações da propriedade e a queijaria – que processa todo o leite produzido pelas vacas e cabras criadas na fazenda, além de conhecer a história dos diversos ciclos de produção no Brasil, como o da cana e o da farinha de mandioca. Além da horta orgânica de 5 mil m², com cerca de 60 variedades, há ainda duas agroflorestas produtivas (em breve três), com espécies frutíferas e madeireiras, raízes e legumes. Toda a produção vai para os dois restaurantes do grupo (o da própria fazenda e o Quinta das Letras, anexo à Pousada Literária), para os funcionários, para doação e para os hóspedes que, ao final da estada na pousada, são agraciados com uma cesta fresquinha. Um mimo inusitado e sustentável. Estrada da Pedra Branca.

 

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