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Split: ponto de partida para explorar o litoral croata

Split: ponto de partida para explorar o litoral croata

Com heranças romanas, a riviera dálmata é o ponto de partida para explorar as belas ilhas do Adriático – com um pezinho na Itália

Por Cristiane Sinatura

O ambiente de trattoria à meia-luz, a mesa farta de antepastos, a toalha xadrez e… Onde é que estou mesmo? O peixe vem assado inteiro com limão amarelo, acompanhado de vinho forte, enquanto ares calorosos sopram na noite lá fora. O senhorzinho de bigode branco serve a mesa com um misto de orgulho, eloquência e um pouco de rabugice. Poderia ser a Itália, mas é Split, na costa da Dalmácia, sul da Croácia. É como se a Bota tivesse se espichado em um pontapé além-mar, ganhando vida em restaurantezinhos com paredes de pedra como este, o Sperun. A Itália, afinal, está a apenas três horas de balsa dali, atravessando o Adriático.

Mar esse que tem importância fundamental para o turismo em Split. Dali saem os barcos para as ilhas de Brac, Vis e a badalada Hvar, tida como a “Saint-Tropez croata” – onde ficam algumas das praias mais bonitas do país. Quem, no entanto, quiser banho de sol e mar sem sair de Split, pode começar o roteiro assim: primeiro, Bacvice, a enseada mais popular, a 15 minutos de caminhada desde o centro histórico, com bares, duchas, cadeiras e guarda-sóis para alugar. Cinco minutos depois, vem Ovcice, também famosa, mas com pedrinhas no lugar de areia; outros cinco minutos e chega-se à familiar Firule. Já na área central da cidade, o reluzente calçadão à beira-mar conhecido como Riva tem restaurantes que reúnem turmas, casais e famílias em clima descontraído, a saborear um peixe fresco com vinho Dingac ou cerveja Karlovacko.

 

foto: shutterstock

 

Nos passos do imperador

A história é outro fator decisivo no parentesco Itália-Croácia. E é isso que se vê no cartão-postal de Split, ali mesmo no calçadão à beira-mar. Imponente, o Palácio de Diocleciano foi a residência de veraneio do imperador romano no século 4º e hoje é uma das mais bem preservadas heranças do período. Não tem miséria: as muralhas de proteção chegam a 215 metros de comprimento e até 26 metros de altura, construídas em calcário proveniente da região – dizem por ali que também a Casa Branca americana é feita dessa mesma pedra local.

É verdade que, apesar de bem conservado, o palácio sofreu uma série de modificações. A fachada original agora é tomada de bares e restaurantes. O interior, antes dividido em quatro partes, foi ocupado por ruelinhas labirínticas, onde vivem 3 mil pessoas, pendurando seus varais fora das janelas, cuidando de suas jardineiras floridas e deixando escapar o cheiro de alho refogado na hora do almoço. No ir e vir de sua rotina, elas dividem espaço com os turistas, que ali encontram hotéis, restaurantes e lojas.

 

foto: shutterstock

 

Os subterrâneos do complexo, no entanto, permanecem praticamente intactos e hoje sediam exposições de arte, peças de teatro, feira de flores e eventos gastronômicos (além de terem sido cenário para a série Game of Thrones). Mas o ponto culminante do palácio é mesmo o Peristilo, o pátio central que reúne as construções mais antigas dali, como o Templo de Júpiter, adornado com uma das várias esfinges trazidas do Egito, e o mausoléu de Diocleciano, transformado em catedral – ironia do destino, já que o imperador foi um infame perseguidor de cristãos.

Antiga entrada principal do palácio, a Porta de Ouro é guardada pela enorme estátua de Gregório de Nin, bispo que, no século 10º, defendeu o direito de rezar missas na língua local. Ali, vejo uma moça esfregando, sem parar, o dedão da escultura à la Mago Merlin. “Tira outra!”, grita ela, pedindo mais uma foto. E posa ainda outras cinco vezes até achar o clique ideal, sem desgrudar do pé do bispo, enquanto uma fila de turistas se forma atrás dela. Todos com o mesmo objetivo: tocar o dedão. É tanto afago que a estátua já está até desbotada. É que, dizem, quem a esfrega, sorte na vida terá. E então lá vou eu para a fila, pronta para me render às tradições croatas…

 

Estique até Trogir

A 20 minutos de carro a partir de Split, a cidade-ilha de Trogir nasceu como uma vila medieval e ainda hoje preserva construções da época, como fortalezas à beira do mar e a Catedral de São Lourenço, cuja torre proporciona uma ótima vista dos arredores. Pedida para a hora da fome: em um pátio agradável, o restaurante Monika serve frutos do mar e carnes preparados na churrasqueira.

 

 

Onde se hospedar em Split?

Judita Palace
Em uma mansão do século 16 ao lado do Palácio de Diocleciano, tem quartos charmosos, alguns com sacada e cama king size.

Radisson Blu
Resort de frente para a praia e a 3 km do centro histórico, tem 250 quartos, alguns com vista para o mar.

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